Bombay

Azul Enganador

29 setembro 2006

não fora não ter um carocha...


Se tivesse um carocha, hoje partia. Pela chuva. Punha o dedo no mapa e abeirava as estradas junto á água. Talvez fosse até São Jacinto. É uma língua de terra com mar e rio no contorno. Parava no caminho para acertar o destino, reabastecer o depósito e trazer volume de tabaco. Deixava-me á estrada, ao prazer de cumprir o limite de velocidade, porque certa de ter onde ir. Chegar de noite. Na estrada escura e húmida. Talvez ouvir logo o mar e não o saber. Pousar a vida na mesa de madeira. O Café do Francês já não aluga os bangalows de madeira no pinhal... mas podemos fingir haver uma casa nas dunas para conter essa mesa onde se pousava a vida e as mãos na chávena quente do chá.

Há o tempo e a espessura do silêncio. Primeiro, revibram nele as histórias escritas e vividas. De amores, seguramente. Um lugar daqueles guarda com sal os amores e a memória dos corpos apaixonados. Depois calam-se as histórias porque o mar se ouve mais alto. Chega então a espessura do silêncio que permite começar a falar. Connosco.

Era essa a conversa que queria, não fora não ter um carocha.

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