Bombay

Azul Enganador

17 outubro 2006

M(ulher) em janela azul


Esta é a minha amiga M contra uma janela azul. De M convém ainda dizer que tem uns olhos azuis como poucos, mas teimou Modgliani em por esse azul no retrato da janela. Este é um retrato baralhado da minha amiga M, ficam a saber.

A minha amiga, antiga como o tempo de começar a crescer, faz hoje anos. Celebra assim a passagem das marés. Viemos acenar-lhe, rente na praia, e dizer-lhe que esperamos estar por muito, muito tempo. Tanto tempo quanto o mar.

A minha amiga, e é preciso um bocadinho de evocação..., cresceu comigo nas palavras escritas das cartas. Lembro dela vestida de roxo no apeadeiro quando ainda nos custava falar as palavras que muitas pousamos em cartas. Esta minha amiga foi um vagar imenso e talvez por isso eterno e sanguíneo. Suspeito que sabíamos que jamais nos prediríamos, pelo que nunca tivemos pressa e deixamos a timidez perder a pele e perder-se de nós. Depois das cartas invadi-lhe o quarto amarelo e a carinhosa família. Foi o meu chão do norte. Não sei que alguma vez lhe disse... mas foi muito, muito bom tê-la rente à minha vida. Uma dádiva azulada.

Parabéns, M.